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Papagaio falante Abril 5, 2008

Posted by loscarrj in Besteirol.
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Fala melhor que muito presidente. Deixa pra lá.

Cazuza Abril 5, 2008

Posted by loscarrj in cultura.
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Meu erro é quase que imperdoável. Eu, um grande fã do maior cantor e compositor da sua época, na minha singela opinião é claro, deixar passar está data que mudou o rumo da pacata vida dos brasileiros. No entanto adepto daquela velha frase, antes tarde do que nunca, estou aqui para tentar me redimir deste erro.

Nascido a 4 de abril de 1958, no Rio de Janeiro, Agenor de Miranda Araújo Neto foi criado em Ipanema, habituado à praia. Os pais, João Araújo e Lúcia. O filho único se apegou à companhia da avó materna, Alice, com quem passava a maior parte de seus dias. Quieto e solitário, foi um menino bem-comportado na infância. Só quem conhecia o Agenor era a sua família. O Brasil se apaixonou pelo Cazuza. Na definição do dicionário, “cazuza” é um vespídeo solitário, de ferroada dolorosa. Deriva daí, provavelmente, o outro significado que o termo tem no Nordeste: o de moleque.

Na adolescência, porém, o gênio rebelde do futuro roqueiro se manifestaria. Cazuza terminou o ginásio e o segundo grau a duras penas, e, depois de prestar vestibular para Comunicação, só porque o pai lhe prometera um carro, desistiu do curso em menos de um mês de aula. Já vivia então a boemia no Baixo Leblon e seu estilo de vida era baseado em sexo, drogas e rock ‘n’ roll. Se adaptar a essa realidade do filho, drogas e bissexualidade não foi nada fácil para seus pais.

João Araújo não queria o filho na vagabundagem e, em 1976, arrumou emprego para ele na gravadora Som Livre, onde já era presidente. Lá, Cazuza trabalhou no departamento artístico, fazendo a primeira triagem de fitas de cantores novos, e na assessoria de imprensa. Depois foi divulgador de artistas na gravadora RGE, e, após sete meses de um curso de fotografia na Universidade de Berkeley, deu alguns passos como fotógrafo. Mas nada disso o satisfazia.

Graças, contudo, a um outro curso – de teatro, dado pelo ator Perfeito Fortuna (grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone) – Cazuza acharia o seu papel. Não seria representar, mas cantar. É que na montagem da peça “Pára-quedas do coração”, conclusão do curso, tudo o que ele fez foi soltar a voz, vindo a gostar muito da experiência. Afinal, música ele já respirava desde criança. Em casa mesmo, se acostumara a conviver com a presença de estrelas da MPB que seu pai produzia. Por que não se tornar também uma delas? Só faltava achar a sua turma.

Roberto Frejat, guitarrista; Dé, baixista; Maurício Barros, teclados; Guto Goffi, baterista. Era 1981 e esses garotos precisavam de um vocalista para completar sua banda. Os ensaios aconteciam na casa de um deles no bairro de Rio Comprido, onde um dia apareceu Cazuza, enviado pelo cantor Léo Jaime. Sua voz, era adequadamente berrada para os rocks de garagem que os quatro faziam, agradou muito. Animado, o novo integrante resolveu então mostrar as letras que, na surdina, vinha fazendo havia tempos. Rapidamente o grupo, que se chamava Barão Vermelho e só tocava covers, começou a compor e aprontou um repertório próprio.

A partir daí, o céu era o limite. Timidamente os meninos do Rio fariam a sua história, escrevendo um capítulo na conceituada música brasileira. Seu estilo não agradava a todos, mas todos tinham que se curvar ao talento de Cazuza, um verdadeiro poeta, que em todas as suas músicas algo era tocado. Nunca eram letras sem sentido. Porém com o sucesso, e , conseqüentemente, com a maior exigência de profissionalismo, as diferenças se ressaltaram. O temperamento irriquieto de Cazuza pouco se adequava a uma agenda cada vez mais sobrecarregada de ensaios e entrevistas. Em julho, a notícia chegou aos jornais: enquanto os outros seguiriam com a banda, sua estrela partiria para uma brilhante carreira solo.

Poucos dias depois, Cazuza voltava a ser notícia. Tinha sido internado num hospital do Rio com 42 graus de febre. Diagnóstico: infecção bacteriana. O resultado do teste HIV, que ele exigiu fazer, dera negativo. Mas naquela época os exames ainda não eram muito precisos. Algum tempo depois a confirmação da presença do vírus iria transformar sua vida e sua carreira.

Seus shows continuavam, pois a final de contas o tempo não para. Cada vez mais suas músicas fazia sucesso. Cds eram lançados e devorados por seus fãs. O guerreiro Cazuza não se abateu com a doença. Seguiu fazendo o que mais gostava. Contudo o tempo é impiedoso. Ele foi vítima da sua irresponsabilidade, por muito tempo admirada por alguns. Em outubro de 1989, depois de quatro meses seguindo um tratamento alternativo em São Paulo, Cazuza viajou novamente para Boston, onde ficou internado até março do ano seguinte. Seu estado já era muito delicado e, àquela altura, não havia muito mais o que fazer. Foi assim que ele morreu, pouco depois – a 7 de julho de 1990. O enterro aconteceu no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Sua sepultura está localizada próxima às de astros da música brasileira como Carmen Miranda, Ary Barroso, Francisco Alves e Clara Nunes.

Pessoas como Cazuza não nascem todos os dias. São escolhidas a dedo para brilhar e mostrarem a que vieram. Ele era o que era. Se fosse diferente não seria o Cazuza. Seria apenas o Agenor. Infelizmente perdemos um ídolo. Mais um que se vai. No entanto ele deixou sua marca. Ele não se importava com a consequência dos seus atos. Simplesmente vivia. Era intenso e conseqüente. Um herói paradoxal. e foi isso que ele foi, paradoxal, sendo amado e odiado. Todavia ele não estava nem ai, porque a final de contas ele era exagerado. Obrigado Cazuza.

“Li uma vez que você vive não sei quantas mil horas e pode resumir tudo de bom em apenas cinco minutos. O resto é apenas o dia-a-dia. Um olhar, uma lágrima que cai, um abraço… Isso é muito pouco na vida. Então, isso vale mais que tudo para mim. Prefiro não acreditar no Day After, no fim do mundo, no apocalipse. “
Cazuza