Goleiros artilheiros Abril 24, 2008
Posted by loscarrj in Futebol.Tags: goleiros artilheiros, gol de goleiro, rogério ceni, chilavert, higuita, jorge campos
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Com o gol de ontem, na partida contra o Coronel Bolognesi - PER, pela Libertadores da América, Bruno, goleiro do Flamengo, chamou a atenção pelo fato de ainda vermos gols de goleiro como uma coisa inusitada, no entanto aos poucos isso tem mudado.
Para tentar entender essa paixão dos goleiros pelos gols, recuando no tempo, é possível descobrir que antes, gol de goleiro era uma obra do acaso. O primeiro registro aconteceu no dia 19 de setembro de 1970, no Rio de Janeiro. Naquele dia jogavam Madureira e Flamengo. O time visitante vencia a partida por 1 a 0 quando o então goleiro rubro-negro, Ubirajara Alcântara, quis armar um contra-ataque com o atacante Nei. Ao lançar a bola com um fortíssimo chute, acabou fazendo o primeiro gol de goleiro numa partida oficial da história do futebol mundial. A bola ainda bateu duas vezes no chão e, no segundo quique, deu um chapéu no pobre goleiro do Madureira, Paulo Roberto, que caiu de costas. Ubirajara entrava assim para a história do futebol e sua façanha entrou para o Livro Guinness dos Recordes.
Porém, outro goleiro reivindica a proeza de ter sido o primeiro a fazer um gol. Navarro, goleiro revelado pelo Noroeste, marcou o seu gol no dia 18 de julho de 1961, em Bauru, numa partida válida pelo Campeonato Paulista. O adversário daquela ocasião era o Taubaté. Navarro chutou a bola de sua própria área e surpreendeu o goleiro Henrique, do Burro da Central.No começo dos anos 80, outro goleiro brasileiro fez fama marcando gols. Tinha nome de craque: Zico, e atuou em times modestos do Paraná. Assim como Ubirajara, ele fez um gol do meio campo defendendo o Cascavel numa partida contra o Colorado, em 1980, numa partida válida pelo Campeonato Paranaense. Porém, num dado momento de sua carreira, Zico percebeu que poderia fazer gols de pênalti, afinal não havia (como não há até hoje) nada na regra que impedisse isso. Passou a ser o cobrador oficial do clube. Mesmo não existindo registros exatos de quantos gols fez, ele é considerado um dos precursores da moda de goleiros-artilheiros na história do futebol. Depois dele, veio o argentino Gatti, que atuou pelo Atlético Mineiro, e também deixou sua marca nas redes adversárias.
O mexicano Jorge Campos, escolhido como terceiro melhor goleiro do mundo pela Fifa, em 1993, diz que gostava mesmo de parecer um palhaço e fazer o público rir. E seu estilo de jogo, se afastando dezenas de metros de sua trave durante as partidas, sempre fez parte de seu personagem. Mas não foi apenas por isso que ele marcou sua passagem pelo futebol. Em 1988, ele se profissionalizou como goleiro no UNAM, clube mexicano. Como naquela época havia um excesso de jogadores na posição, pediu para ser escalado como centroavante.
Higuita tornou-se ídolo do Atlético Nacional de Medellín, clube com o qual conquistou em 1989 a Libertadores. Ficou conhecido por três características: sua cabeleira inconfundível, pelas cobranças de faltas e pênaltis e por driblar os atacantes adversários ainda dentro de sua área. Ele chegou até mesmo a ser apontado como um líbero de sua seleção, participando ativamente da partida orientando os zagueiros e virando um ponto de referência. Porém, nunca se esquecia de fazer seus gols, quase sempre de bola parada. Numa dessas cobranças, ele marcou um de seus mais importantes gols: na semifinal da Copa Libertadores de 1995, vencendo Burgos e derrotando o poderoso River Plate, em partida que foi realizada em Medellin. Higuita fez 40 gols em sua carreira. Ganhou o apelido de “El Loco” por causa de todas suas peripécias.
O paraguaio Chilavert foi o primeiro goleiro a marcar na história das Eliminatórias da Copa do Mundo. A façanha aconteceu em 1996, contra a Argentina. Marcou 27 gols seguidos em cobranças de pênaltis. Ganhou inúmeros prêmios na carreira. Chilavert é um caso típico de jogador de linha que foi parar no gol. Ele fez mais de 55 gols em sua carreira, a maioria deles pela Seleção Paraguaia e pelo Velez Sarsfield.
Um dos discípulos de Chilavert é o brasileiro Rogério Ceni, apelidado pelo jornalista Dalmo Pessoa de “Chilavert Caboclo”. Tudo começou em 1996, quando percebendo que sua equipe desperdiçava demais as cobranças de faltas, decidiu começar a treinar por contra própria. “Eu pegava um saco com bolas, ia para o campo meia hora antes dos treinos, colocava a barreira móvel e ensaiava cobranças”, conta, sempre contando com o incentivo do então técnico Muricy Ramalho. Seu primeiro gol aconteceu em fevereiro de 1997, quando fez um dos gols de seu clube na vitória contra o União São João por 2 a 0. Apesar de já ter cobrado alguns pênaltis, sua especialidade são as faltas. E uma delas foi fundamental para o seu clube. Na decisão do Campeonato Paulista de 2000, Ceni fez um dos gols de falta na partida contra o Santos. A partida terminou empatada em 2 a 2. O título ficou com o São Paulo. Rogério Ceni fez história como o primeiro goleiro a fazer um gol numa decisão em território brasileiro. Um goleiro que faz gols sempre está no fio da navalha. No Torneio Rio/São Paulo de 2002, Ceni foi protagonista de um lance inusitado na vitória de sua equipe sobre o Fluminense por 4 a 3. Depois de acertar uma bela cobrança de falta e marcar o quarto gol são paulino, o goleiro foi comemorar com a torcida e deixou a meta desguarnecida. Uma chance de ouro que o atacante Roger tocasse para as redes desde o meio-campo. Pela Seleção Brasileira, Rogério Ceni ainda não marcou nenhum gol.
Se Chilavert foi o primeiro goleiro a marcar na história das Eliminatórias, o segundo não tardou a aparecer. Foi o venezuelano Rafael Dudamel. Ele fez um gol contra a Argentina, em 1996. Além desses goleiros especialistas em chutes de longa distância, uma outra modalidade de goleiros-artilheiros também brilha no futebol. São aqueles que, na hora do aperto, tentam ajudar seus companheiros, procurando aproveitar bolas cruzadas de escanteios. A história é quase sempre a mesma: faltando poucos minutos para o término da partida, alguns goleiros atravessam a área e tentam a sorte de um gol salvador com a cabeça. Um desses casos é o do brasileiro Hiran. Em 1997, quando defendia o Guarani, conseguiu cabecear uma bola para o fundo das redes, empatando uma partida que já parecia perdida. O adversário era o Palmeiras. O lance aconteceu aos 46 minutos do segundo tempo, quando sua equipe perdia por 3 a 2. Com o gol, Hiran foi o herói daquela noite.
Outro exemplo que entrou para a história foi o do argentino Bossio, do Estudiantes, que no mesmo ano de 1997, fez um gol redentor de cabeça, livrando sua equipe de uma derrota praticamente certa contra o Racing. O cronômetro marcava 43 minutos do segundo tempo e Bossio não teve medo. Foi para a área adversária e fez o gol do empate por 1 a 1. Foi o primeiro gol de cabeça feito por um goleiro em mais de 65 anos de futebol profissional na Argentina.
Os goleiros europeus também gostam de fazer seus gols. O dinamarquês Krogh salvou de cabeça também o seu Brondby de uma derrota contra o AGF Aarhus, também já nos descontos. Isso aconteceu em também em 1997. Outro que já experimentou o gosto de fazer gols de cabeça foi o italiano Rampulla, quando atuava pela Cremonese. O dinamarquês Peter Schmeichel também marcou um gol para o Manchester United na temporada 96-97, aproveitando uma jogada de escanteio. Mas talvez o caso mais emocionante tenha sido o do goleiro Nacho Gonzales, do Las Palmas. Seu clube disputava um importante jogo contra o Osasuna, na temporada 2000-2001. Se perdesse, seria rebaixado para a segunda divisão. Nacho teve sangue frio suficiente para cobrar dois pênaltis durante a partida. Seus gols ajudaram o Las Palmas a continuar na primeira divisão, e de quebra, conseguiu duas marcas: fez o gol de número 1000 daquela temporada e se transformou no primeiro goleiro a fazer dois gols numa única partida. Quem talvez melhor incorpore o espírito de Chilavert na Europa é o goleiro alemão Hans Jorg Butt. Atuando pelo SV Hamburgo ele já fez nove gols na temporada 99-00 e três na temporada 00-01.
Existem muitos outros exemplos e a cada dia mais goleiros tem se motivado a treinar cobranças de falta e pênalti, no entanto todos esses exemplos apresentados aqui mostram que os goleiros podem fazer muito mais do que apenas usar as mãos.
Retirado do site Papo de Bola
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